Ei, pintassilgo. Oi, pintaroxo, Melro, uirapuru. Ai, chega-e-vira, Engole-vento, Saíra, inhambu. Foge asa-branca. Vai, patativa, Tordo, tuju, tuim. Xô, tié-sangue. Xô, tié-fogo. Xô, rouxinol, sem fim. Some, coleiro. Anda, trigueiro. Te esconde colibri. Voa, macuco. Voa, viúva, Utiariti. Bico calado. Toma cuidado. Que o homem vem aí. O homem vem aí!
q
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domingo, 19 de outubro de 2008
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Salvaremos a Mata Atlântica?

Primeiro artigo do Germano Woehl para o site O Eco. Vale a pena.
http://oeco.com.br/index.php/germano-woehl/85-germano-woehl/19165-conseguiremos-salvar-a-mata-atlantica
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
domingo, 5 de outubro de 2008
Abelharucos

A edição de outubro/2008 da sempre estupenda revista National Geographic Brasil está ótima. Tem uma reportagem fotográfica de um pássaro muito interessante e com um nome popular (traduzido não sei de que forma) muito intrigante. É o Abelharuco, da família Meropidae. O nome em inglês é mais esclarecedor, bee-eater, ou seja, comedor de abelhas. É uma ave que não voa no Brasil e na América, é habitante da Europa, África e Ásia ocidental. Mas pelo que eu li na reportagem achei que tem muitas semelhanças com as nossas arirambas, aves da família Galbulidae.
A seguir uma reprodução de parte do artigo da National, revelando o comportamento interessantissimo dos abelharucos, e algumas das maravilhosas fotos.
O texto é de Bruce Barcott. As fotos são de József L. Szentpéteri. A última foto é de uma ariramba, foi tirada por Gill Carter no Rio Cristalino, Alta Floresta, Mato Grosso, Brasil.

"Keats, o poeta romântico da Grã-Bretanha, tinha o seu rouxinol. O americano Poe, não menos romântico, escolheu o corvo. A vida do abelharuco-europeu (Merops apiaster), porém, plena de intrigas familiares, perigos, tramóias e resplandecente beleza, está mais para epopéia, disseminando-se por vários continentes. O abelharuco dispara pelo céu com seu chamativo traje multicolorido: coroa marrom-avermelhada, máscara preta, peito turquesa e penas na garganta da cor de trigo maduro. Vestes adequadas a um pássaro que gosta de viver perigosamente.
Fazendo jus a seu nome, o abelharuco adora comer abelha, embora também aprecie libélula, mariposa, cupim, borboleta - quase tudo que voe. Depois de abocanhar seu lanchinho em pleno vôo, o pássaro retorna ao poleiro para extrair o veneno da abelha. Com o inseto preso no bico, ele soca a cabeça dele num lado do galho, esfregando seu abdome - onde fica a bolsa de veneno - do outro lado. A esfregação faz com que a abelha libere suas toxinas.

A vasta maioria desses pássaros forma clãs que se encarregam de criar os filhotes durante a primavera e o verão, numa ampla extensão territorial que vai da Espanha ao Cazaquistão - um pequeno grupo vive principalmente na África do Sul. Fazendas, campos e vales fluviais abrigam uma fartura de colônias de insetos. Quando topam com uma colméia, os pássaros esbaldam-se - um pesquisador encontrou uma centena de abelhas no estômago de um abelharuco próximo a uma colméia.
As abelhas-européias passam o inverno recolhidas no interior da colméia, o que faz secar a principal fonte alimentícia do abelharuco. Assim, no fim do verão termina o idílio dos pássaros jovens, cujos clãs iniciam longa e perigosa jornada. Bandos massivos de abelharucos da Espanha, da França e do norte da Itália cruzam o estreito de Gibraltar para sobrevoar o Saara rumo a seus territórios invernais na África ocidental. Abelharucos da Hungria e de outras partes da Europa central e do leste atravessam o Mediterrâneo e o deserto da Arábia para invernar no sul da África.

"Tais migrações constituem um estratagema de alto risco", diz C. Hilary Fry, ornitólogo britânico. Ao convergir para o Mediterrâneo, as aves vêem-se forçadas a despistar um tipo de falcão predador que alimenta seus filhotes com pássaros canoros migrantes. "Pelo menos 30% dos abelharucos serão abatidos pelos predadores ou por outros fatores, antes que possam retornar à Europa na primavera seguinte", afirma Fry.
Assim que os pássaros chegam à África, a época do acasalamento começa em grande estilo. Os machos permanecem com o próprio clã, recebendo a visita de fêmeas "estrangeiras", enquanto suas fêmeas partem em missão de adicionar seus genes a outros grupos distantes. Essa prática, restrita aos indivíduos jovens, garante uma saudável mistura de DNA a cada geração - os pássaros mais velhos tendem à monogamia. Dessa maneira, machos espanhóis cruzam com fêmeas italianas, pássaros húngaros se encontram com cazaques, e todos formam seus pares fixos pelo resto da vida.

Quando abril chega, é hora de voltar para a Europa. Machos de 1 ano de idade retornam a seus locais de origem com as novas companheiras. Seus lares são cavados nas encostas de arenito ou barrancas arenosas dos rios já plenas de tocas escavadas por outros pássaros no passado. São túneis ovais do comprimento de uma perna masculina e com um punho de largura. Os abelharucos desprezam as tocas já existentes e constroem as próprias. Eles bicam e escavam por mais de 20 dias de enfiada. Ao fim do trabalho terão removido de 7 a 13 quilos de terra - mais de 80 vezes o seu peso, que oscila entre 44 e 78 gramas -, desgastando em 2 milímetros seu bico.
A época da nidificação é própria para alianças familiares e muita intriga. Os membros da família Meropidae, que inclui 25 espécies de abelharucos, são conhecidos pelo espírito cooperativo com que criam sua prole. Em uma dada colônia é possível haver numerosos "auxiliares de ninho" - filhos ou tios que ajudam a alimentar os filhotes de seus pais ou irmãos. De um ponto de vista evolucionário, os auxiliares também se beneficiam: pais que contam com eles podem prover suas crias com mais alimento, garantindo dessa maneira a linhagem familiar.
O negócio então é recrutar auxiliares. Os abelharucos-europeus os encontram entre os machos cujos próprios ninhos não prosperaram devido a causas naturais. No entanto, trapaça e roubo não são incomuns. "Quase tudo de perverso que você puder pensar acontece nessas colônias", diz o biólogo Stephen Emlen, da Universidade Cornell. Se uma fêmea sai da toca para se alimentar, outra pode se insinuar lá dentro para botar seus ovos - uma tática que visa enganar a vizinha induzindo-a a cuidar da prole alheia. De modo semelhante, se um macho deixa o ninho desprotegido, outros podem aproveitar a oportunidade para copular com sua "senhora". Certos abelharucos partem ocasionalmente para a franca roubalheira assediando vizinhos que tentam retornar ao ninho carregando comida até vê-los derrubar o inseto, logo apanhado pelo ladrão, que bate asas em retirada.

É uma vida curta e espetacular. Um abelharuco-europeu pode chegar aos 5 anos de idade, talvez 6. Os rigores da migração, que incluem escapar de falcões ao longo da jornada, cobram seu preço a todos os pássaros. Os abelharucos hoje em dia arcam com a perda de insetos para os inseticidas e a extinção dos locais de nidificação, como rios que viram canais com margens concretadas. Mas que bela história a deles, apesar de curta: caçadas a abelhas, amor livre, assaltos a colméias, intrigas nos ninhos e as travessias de Gibraltar. Dizem os compêndios sobre pássaros que os abelharucos são muito "comuns em todas as áreas de ocorrência da espécie". No entanto, chamar esse pássaro tão belo e audaz de "comum" é uma tremenda injustiça."
O mais recente livro de Bruce Barcott é The Last Flight the Scarlet Macaw. Jószef L. Szentpéteri fotografou libélulas para a edição de abril de 2006.

sábado, 27 de setembro de 2008
Açaí de Juçara
O Tucano-de-bico-verde adora o açaí da palmeira juçara. O jacuguaçu também.
Em janeiro, publiquei um artigo do jornalista Herton Escobar, com o título de "Açaí de palmito juçara é opção à extração ilegal". Ontem, Maria das Graças Parada do CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira)escreveu um comentário a respeito do artigo. Achei muito interessante e resolvi destacá-lo nesta postagem.
"Na Bahia, a Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), está estimulando o plantio da juçara para produção de frutos e aproveitamento da polpa. Distribuimos em torno de 200 mil sementes pre germinadas no inicio deste mes. Fizemos uma análise quimica dos dois (açaí e juçara) e a juçara ganhou em ferro, potássio e zinco; nos outros nutrientes não deixou a desejar. Além disso tem 3 vezes mais flavanoides que o açaí. O sabor é diferente (é neutro) e a cor é rôxa, bonita, dá gosto beber ou tomar na cuia, igual como fazemos com o açaí. É o "açaí na tigela" e a "juçara na cuia". O mix com banana e xarope de guaraná é uma delícia e o sorvete misturado com cupuaçu , cacau, graviola, etc., é super... Tem tudo pra "pegar", estamos apostando nisso.
Maria das Graças Parada - gracaparada@ceplac.gov.br
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Louca escapada
Só podia ser um beagle. Reparem que não deve ter sido a primeira vez. O dono parece que até já colocou um reforço na madeira na parte de cima da porta e uma pedra no telhado. Mas não teve jeito.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
DVD-ROM com fotos e gravações de aves
Recebi esta mensagem e estou divulgando. Quem puder ajudar.
"Olá todos,
Um grupo de ornitólogos e observadores de aves,
do qual eu faço parte (os outros são Andrew
Whittaker, Arthur Grosset, Ciro Albano, Dante
Buzzetti e Ricardo Parrini) vai publicar um
DVD-ROM com fotos e gravações de aves
brasileiras. Estamos finalizando volume 1,
espécies não-amazônicas. Este volume terá mais de
1.050 espécies e de 180 delas não temos nenhuma
foto ou nenhuma foto boa. Gostariamos de saber se
alguns fotógrafos, associados da ornitobr, possam
contribuir com fotos de algumas das espécies que
faltam. Coloquei um arquivo com uma relação
destas espécies na pasta 'DVD-ROM' na página da ornitobr.
Não temos patrocínio para esta obra e
infelizmente não temos verba para pagar por estas
fotos. Porém, esta seria uma oportunidade para
publicar seu trabalho nacional e
internacionalmente. Também seria de interesse da
comunidade ornitológica que o DVD-ROM fosse o mais completo possível.
Solicito a quem quiser participar a gentileza de
enviar-me fotos com tamanho de 1600 x 1100 pixels
com resolução de 72 pixels / inch, em formato jpg com resolução máxima.
Coloquei na mesma pasta 'DVD-ROM' a relaçaõ das
espécies onde não temos voz . Muitas destas vozes
realmente naõ fazem muita falta (e.g. patos e
gaivotas) mas algumas são importantes e os bichos
não são raros, por exemplo Anthus furcatus,
Serpophaga sp. ("griseiceps") e Pseudoleistes
virescens. Gravações desta espécies (em mp3 mono)
também seriam muito bem vindas.
Abraços,
Jeremy"
As espécies sem foto e sem gravação podem ser vistas nos arquivos:
http://www.aves.brasil.nom.br/dvd/DVDROM-SEMFOTO.xls
http://www.aves.brasil.nom.br/dvd/DVDROM-SEMSOM.xls
As fotos podem ser enviadas para o e-mail: jefferson@indrix.net
terça-feira, 23 de setembro de 2008
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
sábado, 20 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Da série PPSs maravilhosos que caem em nossas mãos
sábado, 13 de setembro de 2008
Sabiá soltando a voz
O Sabiá que domina o território aqui em volta de casa está cantando que é uma beleza. Começa as 4 da matina e canta até umas 17h00. Não sou bairrista mas acho que o sabiá daqui canta mais bonito que os outros. É bem criativo.
Fiz uma estimativa meio rápida. A cidade de São paulo tem 1.500 km2, admitindo que cada sabiá macho ocupa um território médio de 1.000 m2, então em sampa temos 1,5 milhão de sabiás machos e mais 1,5 milhão de femeas, o que dá uns 3 milhões de sabiás, só na cidade. Deve ser a maior sinfonia do mundo animal. As 4 e pouco da manha, quando a cidade silencia, são 1,5 milhão de sabiás cantando ao mesmo tempo.
Que viagem.
sábado, 12 de julho de 2008
domingo, 6 de julho de 2008
Céus sem Pardais
Me lembro que 20 ou 30 anos atrás a cidade de São Paulo, e muitas outras do Brasil, eram quase que infestadas de pardais. Reparo hoje em dia que já não é mais assim, o número de pardais caiu muito, já não é mais a ave predominante.
Os pardais que são aves originárias da Europa, Ásia e norte da África, foram trazidas no começo do século passado para o Rio de Janeiro para diminuir os insetos, só que a avezinha antes de insetos gosta mesmo é de grãos e como aqui tem grão o ano inteiro elas acabaram se espalhando rapidamente.
Segundo nota publicada na National Geographic, os pardais vem diminuindo drasticamente também na Europa. As razões são mudanças nas práticas agrícolas que resultaram em menor desperdício de sementes e grãos, o que acasionou a redução de pardais nas zonas rurais, e, nas zonas urbanas, devido ao aumento das áreas pavimentadas e diminuição das áreas verdes.
Pois é, até o pardal, uma ave que parecia tão habituada a vida nas cidades, sofre com a redução das áreas verdes, que, no meu entendimento incluem os terrenos baldios que com seus matinhos sempre desvalorizados alimentavam um grande número de aves granívoras.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Socózinho inteligente
Recebi este pequeno vídeo que mostra a incrível esperteza de 3 bichos. O mais interessante, na minha opinião, mostra uma ave, que parece um socozinho, utilizando um pedacinho de pão como isca para atrair e fisgar um peixe. Já tinha ouvido falar desse procedimento dos socózinho, mas ainda não tinha visto. O bicho é realmente muito esperto.
sábado, 28 de junho de 2008
Dica de livro
domingo, 18 de maio de 2008
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Conar proíbe anúncios da Petrobrás sobre responsabilidade ambiental
Boa notícia, finalmente alguma ação para acabar com essa palhaçada de toda empresa virar ambientamente correta de mentirinha. Bem capaz da petrobrás caçar logo logo, afinal, com tantas reservas, mas pelo menos é um começo.
Conar proíbe anúncios da Petrobrás sobre responsabilidade ambiental
Entidade suspendeu publicidade porque estatal não cumpre cronograma de redução de enxofre no diesel
Cristina Amorim (O Estado de São Paulo, 18/04/2008)
O Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) decidiu ontem, por maioria de votos, pela sustação de duas campanhas publicitárias da Petrobrás que ligam a empresa a ações ambientalmente responsáveis. O pedido de análise partiu de um grupo de instituições governamentais e não-governamentais, que acusa a estatal de anunciar um comprometimento com o ambiente que não seria verdadeiro, pois ela resiste à redução da taxa de enxofre no diesel brasileiro a partir de 2009.
Ainda cabem recursos no próprio Conar. A Petrobrás informou que vai recorrer. Segundo a advogada Cristiane Lage, é a primeira vez que a estatal responde ao conselho.
O grupo social e governamental comemorou a decisão. Fazem parte dele as secretarias ambientais municipal e estadual de São Paulo, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, Movimento Nossa São Paulo, Greenpeace, Amigos da Terra e Fundação SOS Mata Atlântica, entre outros.
“Esse é um marco no processo de responsabilidade social e ambiental no País”, afirma Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo. “As empresas mais filantrópicas do mundo e do Brasil investem no máximo 1% do faturamento em ações sociais. Responsabilidade não é só sobre esse 1%, mas também sobre os outros 99%. Não adianta ter um projeto social se o seu produto faz mal.”
Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Xico Graziano, o Conar deu um sinal “ao mundo empresarial em geral”, pois, segundo ele, “algumas empresas vestem o disfarce ambientalista de forma exagerada”. “Produção limpa não é plantar 30 árvores por ano. Desenvolvimento sustentável é mais do que isso.”
Segundo a Resolução 315, de 2002, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), o diesel comercializado no País deve apresentar a concentração máxima de até 50 partes por milhão de enxofre até janeiro. Hoje, ela varia entre 500 ppm, no combustível comercializado em Belo Horizonte, Rio, São Paulo e outros 234 municípios, e 2.000 ppm nas demais 5.300 cidades.
O enxofre é um composto cancerígeno e gatilho de uma série de doenças cardiovasculares e respiratórias. Uma pesquisa concluída no ano passado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) indica que a poluição na região metropolitana de São Paulo promove a morte precoce de 2 mil pessoas por ano - e o enxofre é um dos compostos mais impactantes. O custo dos danos à saúde pode chegar a US$ 1 bilhão ao ano, quando o resultado é extrapolado para as maiores capitais brasileiras.
EMBATE
A decisão foi tomada após uma reunião tensa, de cerca de duas horas, na sede do conselho, em São Paulo. O Estado teve acesso ao fim do encontro, em que o grupo social e a Petrobrás expuseram seus argumentos.
O número de mortes apresentado na pesquisa foi questionado pelo representante da Petrobrás na reunião, Sergio Fontes, ao dizer que elas podem ser causadas por outras questões. O autor principal do estudo da USP, o médico Paulo Saldiva, afirmou que aplicou no estudo diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) - as quais ele mesmo ajudou a formular, ao lado de outros 11 especialistas convidados.
Fontes também afirmou que a resolução não detalha “explícita ou implicitamente” o prazo para mudanças no diesel - ainda assim, em novembro, a Petrobrás disse que cumpriria o cronograma, após uma audiência pública ser realizada na Câmara dos Deputados. “É como dizer que a dengue não existe porque a lei diz isso. Mas ela está aí”, disse Saldiva.
Os contratos publicitários gerais da empresa somam R$ 250 milhões anuais. A Quê Comunicação, agência que atende a Petrobrás, não quis se pronunciar. A Associação Brasileira de Propaganda foi procurada pela reportagem, mas o presidente, Cyd Alvarez, único porta-voz, não foi localizado até as 20 horas de ontem.
Conar proíbe anúncios da Petrobrás sobre responsabilidade ambiental
Entidade suspendeu publicidade porque estatal não cumpre cronograma de redução de enxofre no diesel
Cristina Amorim (O Estado de São Paulo, 18/04/2008)
O Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) decidiu ontem, por maioria de votos, pela sustação de duas campanhas publicitárias da Petrobrás que ligam a empresa a ações ambientalmente responsáveis. O pedido de análise partiu de um grupo de instituições governamentais e não-governamentais, que acusa a estatal de anunciar um comprometimento com o ambiente que não seria verdadeiro, pois ela resiste à redução da taxa de enxofre no diesel brasileiro a partir de 2009.
Ainda cabem recursos no próprio Conar. A Petrobrás informou que vai recorrer. Segundo a advogada Cristiane Lage, é a primeira vez que a estatal responde ao conselho.
O grupo social e governamental comemorou a decisão. Fazem parte dele as secretarias ambientais municipal e estadual de São Paulo, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, Movimento Nossa São Paulo, Greenpeace, Amigos da Terra e Fundação SOS Mata Atlântica, entre outros.
“Esse é um marco no processo de responsabilidade social e ambiental no País”, afirma Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo. “As empresas mais filantrópicas do mundo e do Brasil investem no máximo 1% do faturamento em ações sociais. Responsabilidade não é só sobre esse 1%, mas também sobre os outros 99%. Não adianta ter um projeto social se o seu produto faz mal.”
Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Xico Graziano, o Conar deu um sinal “ao mundo empresarial em geral”, pois, segundo ele, “algumas empresas vestem o disfarce ambientalista de forma exagerada”. “Produção limpa não é plantar 30 árvores por ano. Desenvolvimento sustentável é mais do que isso.”
Segundo a Resolução 315, de 2002, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), o diesel comercializado no País deve apresentar a concentração máxima de até 50 partes por milhão de enxofre até janeiro. Hoje, ela varia entre 500 ppm, no combustível comercializado em Belo Horizonte, Rio, São Paulo e outros 234 municípios, e 2.000 ppm nas demais 5.300 cidades.
O enxofre é um composto cancerígeno e gatilho de uma série de doenças cardiovasculares e respiratórias. Uma pesquisa concluída no ano passado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) indica que a poluição na região metropolitana de São Paulo promove a morte precoce de 2 mil pessoas por ano - e o enxofre é um dos compostos mais impactantes. O custo dos danos à saúde pode chegar a US$ 1 bilhão ao ano, quando o resultado é extrapolado para as maiores capitais brasileiras.
EMBATE
A decisão foi tomada após uma reunião tensa, de cerca de duas horas, na sede do conselho, em São Paulo. O Estado teve acesso ao fim do encontro, em que o grupo social e a Petrobrás expuseram seus argumentos.
O número de mortes apresentado na pesquisa foi questionado pelo representante da Petrobrás na reunião, Sergio Fontes, ao dizer que elas podem ser causadas por outras questões. O autor principal do estudo da USP, o médico Paulo Saldiva, afirmou que aplicou no estudo diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) - as quais ele mesmo ajudou a formular, ao lado de outros 11 especialistas convidados.
Fontes também afirmou que a resolução não detalha “explícita ou implicitamente” o prazo para mudanças no diesel - ainda assim, em novembro, a Petrobrás disse que cumpriria o cronograma, após uma audiência pública ser realizada na Câmara dos Deputados. “É como dizer que a dengue não existe porque a lei diz isso. Mas ela está aí”, disse Saldiva.
Os contratos publicitários gerais da empresa somam R$ 250 milhões anuais. A Quê Comunicação, agência que atende a Petrobrás, não quis se pronunciar. A Associação Brasileira de Propaganda foi procurada pela reportagem, mas o presidente, Cyd Alvarez, único porta-voz, não foi localizado até as 20 horas de ontem.
domingo, 6 de abril de 2008
Ouça o canto marcante do Choró-boi (Taraba major)
A imagem do curto vídeo está bem ruizinha, mas é mais para registrar o canto diferente dessa bela e marcante ave que é o choró-boi (veja algumas fotos dele abaixo), também conhecido como chocão-barriga-branca ou piorim (Great Antshrike em inglês e Batará mayor em espanhol).

A filmagem foi feita em Poconé no Pantanal do Mato-Grosso, em janeiro/2008
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