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domingo, 22 de abril de 2007

Bico-de-lacre (Estrilda astrild)

Mais uma vez recorro a um texto do Eurico dos Santos, do livro Pássaros do Brasil, que na página 168 escreve com maestria e humor sobre os Bicos-de-lacre:
"Possuí um casal durante algum tempo, morrendo o macho ou a fêmea (não posso afirmar qual deles), mas o sobrevivente suportou heroicamente o revés e alcançou uma velhice que reputo matusalênica. Contando o tempo desde que o recebi de presente até a morte, decorreram 18 anos. Não sei quanto já vivera antes de me ser dado. Ora, Brehm diz que resistem 8 anos, e assim, sendo, o a que me refiro era um macróbio respeitável. Ao fim da vida, já não subia mais para o poleiro, nem entoava os seus pi-ti--tu-i, pi-ti-tu-i. Em redor do bico cresceram-lhe cerdas, dando-lhe o aspecto de um velho africando minúsculo e barbudinho.
E assim, expirou, caquético e senil, ao fim de uma vida tranquila."



sábado, 21 de abril de 2007

Pitiguari na Vila Mariana em São Paulo o vídeo

Finalmente o Pitiguari mostrou a cara e consegui fazer um pequeno vídeo do bichinho soltando seu poderoso canto.

Pitiguari no alto da pitangueira


O Pitiguari (Cyclarhis gujanensis, Rufous-browed Peppeshrike), também conhecido como Gente-de-fora-vem, por conta de seu canto, que alguém achou que parecia com a frase "gente de fora vem", é um passarinho até comum. Está por praticamente o Brasil todo, inclusive em áreas urbanizadas. É fácil de ouvir, mas muito difícil de ver, é de admirar como se esconde bem.

No vídeo não dá pra ver ele direito mas dá pra ouvir muito bem seu poderoso canto.



Leia o que o Eurico Santos escreveu sobre eles no livro Pássaros do Brasil, na página 182.

"Quando os negócios de caça lhe correm bem, costuma divertir a esposa assoviando fortemente uma determinada cançoneta, de certo em castelhano, que aprendeu no Rio da Prata, pois aqui nossa gente nada compreende, enquanto os argentinos o ouvem perfeitamente dizer: Don Libório, Don Libório, ou Caballero, Caballero, ou ainda Juan chiviro.

O casal vive numa harmonia perfeita e parece que deveras se amam muito.

Quando um bárbaro caçador abate um dos consortes, o outro facilmente pode também ser sacrificado, porque não se afasta do local onde caiu o companheiro, procurando-o, chamando-o, numa evidente ansiosidade."

mais uma foto do consorte


sábado, 14 de abril de 2007

Curiosidades sobre o Canário-da-terra

Sabem por que o nosso canário é da terra?
Pois é uma contraposição ao Canário-do-reino (Serinus canaria), importado de Portugal. Então, o canário brasileiro virou o canário-da-terra. O Cánario-do-reino é originário dos Açores, Ilha da Madeira e das Ilhas Canárias. Daí seu nome, canário, das Canárias, certo?
A fêmea do canário-da-terra tem aspecto bem diferente do macho, dessa forma em alguns lugares ela ganhou um nome próprio, Coroia e também canário-pardinho.
Certos indígenas que apreciam muito seu canto lhe deram o nome de uirá nheengatu, que significa o que canta bem.
Abaixo transcrevo um trecho de um livro clássico, " Pássaros do Brasil", de Eurico Santos, que escreve na página 275 sobre os canários:

"No estado silvestre vivem aos casais e, como são muito ciosos, os machos travam lutas entre si. Nessa ocasião as fêmeas dos lutadores, as coroias, quando não lutam também, acompanham a briga com seus corrulchieis, estimulantes, dando fogo ao macho, que parece então duplicar as forças. A luta prolonga-se, ás vezes, por cerca de sessenta minutos, terminando pela carreira inevitável do vencido, perseguido pelo vencedor.
Minutos após regressa este à fronde da árvore, onde já o espera a doce companheira, corrulchiando, e aí permanece à luz do sol, como sentinela vigilante, altivo e cônscio de sua força, trinando agudamente num verdadeiro desafio."