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sábado, 29 de setembro de 2012

Do Estadão - Pouco turismo ameaça conservação



Para especialista americano, baixa visitação aos parques nacionais é um 'mau presságio'

27 de setembro de 2012 | 3h 08

Bruno Deiro - O Estado de S.Paulo
O baixo índice de visitantes nos parques nacionais ajuda a explicar a falta de engajamento para a implantação de unidades de conservação no País.


É uma das constatações que o norte-americano James Barborak, especialista da Universidade do Colorado, pretende apresentar hoje em sua palestra no 7.º Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), em Natal.
Segundo levantamento feito pelo Ministério do Turismo em 2011, os 31 parques nacionais abertos ao público receberam 4 milhões de visitantes em 2009 - nos EUA, apenas um, o Great Smoky Mountains National Park, recebe anualmente cerca de 10 milhões.
"São só alguns milhões de visitantes por ano, em um país com quase 200 milhões de habitantes. Isso não é um bom presságio para aumentar o apoio do público e dos tomadores de decisão para a necessidade de conservação", diz Barborak, que dirige o Centro de Treinamento e Manejo de Áreas Protegidas da Universidade do Colorado. "É preciso melhorar a infraestrutura de acesso com trilhas, locais de observação e áreas de piquenique, com a ajuda da comunidade e de parcerias público-privadas."
Para Barborak, o turismo é a melhor forma de angariar apoio à causa, mas não pode servir como forma de financiamento, mesmo nos próprios parques. "Até nos EUA as taxas de turismo cobrem apenas 10% do total da verba para os parques nacionais", afirma.
Ele defende um amplo sistema nacional de conservação, com ações integradas de todas as esferas do governo, para que haja verbas estáveis. "As perspectivas a longo prazo para qualquer sistema de áreas protegidas dependem em grande parte de se ter estratégias econômicas sustentáveis, e múltiplas formas de financiamento", afirma. 

domingo, 2 de outubro de 2011

Da FOLHA - Governo do Estado de São Paulo vai privatizar turismo em parques

Reportagem da FOLHA do dia 02-10-2011

Se for para melhorar a infra-estrutura de visitação, eu concordo e dou apoio, desde que somente nas áreas de turismo e não de preservação total.




Alckmin privatiza turismo em parque, cachoeira e caverna

Programa de parcerias vai permitir que empresas e associações explorem atrações e cobrem ingressos

Em contrapartida, entidades terão que fazer manutenção, melhorar estrutura ou repassar parte de lucro


Fotos Lalo de Almeida/Folhapress
Interior da Caverna do Diabo, que deve ser concedida à administração privada já em 2012

VANESSA CORREA
ENVIADA ESPECIAL a ELDORADO

Parques que ofereçam, além de área verde, opções de lazer como arborismo e rafting, restaurantes e até lugar para se hospedar.
A partir de 2012, o turismo em cachoeiras, trilhas e cavernas deve mudar nos parques do Estado de SP, quando poderá ser privatizado.
Hoje, a Fundação Florestal, além de ser o órgão responsável pela gestão ambiental da maior parte das unidades de conservação (92 em todo o Estado), também tem que administrar atrações e restaurantes.
No próximo dia 6, quando o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assina o decreto que cria o programa de parcerias, a fundação terá autonomia para transferir à iniciativa privada essas atividades em 33 parques estaduais.
Podem concorrer empresas, ONGs e associações.
Se a concessão tiver prazos extensos ou valores altos, a serem definidos, será preciso uma lei específica para isso.

CONTRAPARTIDA
Em troca do direito de explorar esses parques, que recebem cerca de 1,5 milhão de visitantes ao ano, as empresas terão de melhorar a infraestrutura, fazer obras de manutenção ou repassar parte dos lucros obtidos -ou uma combinação de tudo isso.
Os serviços a serem transferidos constarão de editais elaborados pela fundação após consulta aos conselhos gestores dos parques.
Segundo o diretor-executivo da fundação, João Gabriel Bruno, há muitas possibilidades de exploração: desde só uma trilha até toda a estrutura turística, permitindo a cobrança de ingresso.
Questionado se o novo modelo de gestão poderá levar a aumento no valor da entrada dos parques, cujo teto hoje é de R$ 6, o diretor-executivo respondeu "espero que não. A ideia é diminuir".
Uma empresa poderá também exibir sua marca, por exemplo, na fachada de um restaurante ou pousada dentro do parque. "Mas nunca vai se montar um resort."
Bruno diz esperar que, no futuro, a fundação se mantenha com receitas próprias e venha até a abrir mão do seu orçamento anual, de R$ 65 milhões, para outras áreas do governo, como a Saúde.
Segundo ele, as concessões devem ocorrer primeiro nos parques Intervales e da Caverna do Diabo, no Vale do Ribeira, já no início de 2012.
Neste, além do passeio tradicional de uma hora na caverna, com seus vários salões e estalactites, a fundação quer ampliar a estrutura e as atrações para os visitantes.
Hoje, há apenas restaurante, serviço de guias e loja. A ideia é conceder a uma empresa, além desses serviços, a construção e a exploração de uma pousada e também incluir atividades como tirolesa e novas trilhas.

COMUNIDADE
No Parque Estadual da Caverna do Diabo e em outros, moradores do entorno já se associam para explorar atividades, como a de guias.
Eduardo Rodrigues, 38, quilombola e membro da Amamel (Associação dos Monitores Ambientais do Município de Eldorado), trabalha como guia ali desde 1998.
Ele diz que a Amamel tem condições para vencer a concorrência em uma licitação, porque conhece bem o trabalho. "Pode até ser melhor."

Mais informações sobre os parques estaduais abertos à visitação podem ser obtidas no site da Fundação Florestal (www.fflorestal.sp.gov.br).

A jornalista VANESSA CORREA viajou a convite do governo do Estado