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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Amazona aestiva, o papagaio-verdadeiro


Ave emblemática, quase mítica. Está virando raridade livre na natureza. Nas minhas andanças de birdwatcher só consegui ver o amazona aestiva duas vezes. Uma, pelo scope, no alto da torre de 50 m do Cristalino Jungle Lodge, em Alta Floresta. A outra no Pantanal de Poconé. Nem uma boa foto consegui tirar.

Um vídeo (gravado por Haroldo Palo Jr. no Pantanal)
video

Características muito interessantes (por Paulo de Tarso Zuquim Antas)

É a espécie de papagaio mais procurada pelo comércio ilegal de aves vivas, por “aprender” a falar. É o loro encontrado desde as aldeias indígenas até nas cidades, apesar da ilegalidade do comércio. Na verdade, ele não fala no sentido exato da palavra. Por viver em grupos e ter uma intensa atividade de contatos vocais com outros papagaios, mesmo membros de um mesmo casal, está sempre repetindo os sons do grupo. Muitos desses sons são aprendidos ao longo da vida e situam-se na mesma faixa de emissão da fala humana.
O comércio é feito através da captura de aves nos ninhos, com poucos dias ou semanas de vida. Criados artificialmente, entram em contato conosco e nossos sons de contato, a fala. Passam a repeti-los, articulando palavras e, até mesmo, frases, para participar da atividade social do grupo humano onde estão, agora, inseridos. Com a idade, perdem ou diminuem a capacidade de aprender novos sons. Dessa maneira, diz-se que papagaio velho não aprende palavra nova.
Na natureza, formam grupos nas áreas de dormida e, ocasionalmente, em locais de alimentação. Durante o dia, os casais deslocam-se para áreas específicas, voltando à noite. Eventualmente, pequenos bandos seguem esses casais. Mantêm contato através de uma seqüência de dois gritos, semelhantes a latidos de um cachorro, escutados à distância e mais fortes no início. (clique aqui para ouvir)
No começo do período reprodutivo, no início da baixa das águas do Pantanal, os casais saem do grupo e estabelecem territórios de nidificação, de onde todos os outros papagaios-verdadeiros são agressivamente expulsos. Chegam a realizar ataques em vôo, usando as garras e bico para atacar as outras aves. Em casos extremos, embolam-se no ar, lutando até próximo do chão.
O macho, na população do Pantanal, é um pouco maior do que a fêmea. Essa condição pode ser notada quando voam juntos e passam perto do observador. Fazem uma postura de 3 ovos, chocados pela fêmea (pelo menos em cativeiro) durante 25 dias. Os filhotes nascem com intervalos de dois a três dias. Em anos muito bons de alimentação, sobrevivem até dois por ninho. Em geral, um filhote sai do ninho depois de 60 dias de nascido.
No juvenil, a plumagem é semelhante à do adulto, com dominância do verde em todo o corpo, um pouco mais claro na barriga. Na cabeça, o azul da testa e o amarelo da cara, garganta e alto da cabeça são pouco evidentes ou ausentes. Bico negro, uma das características principais da espécie, junto com as penas vermelhas na dobra, na asa (no chamado espelho, sobre a asa) e em uma bola na base das penas longas da cauda. As duas marcas vermelhas da asa são mais evidentes em vôo, embora sejam observadas na ave pousada (fotos).



A quantidade de azul e amarelo na cabeça varia de indivíduo a indivíduo, bem como com a idade. Existem, porém, exemplares quase sem amarelo. No Pantanal, há uma grande parcela de aves com muito amarelo na cabeça.
Alimenta-se de sementes, frutos e flores. Quando está pousando ou alimentando-se, raramente grita. Na estação reprodutiva, no entanto, fica pousado em um galho evidente e emite uma série de gritos diferentes, como os dos papagaios de cativeiro.
Aparece em todos os ambientes da RPPN, dirigindo-se ao anoitecer para pousos comunais nas matas secas e cerradões da reserva. É o papagaio mais freqüente em toda a RPPN, sendo a população do Pantanal a mais importante da espécie no Brasil. A captura para o comércio ilegal e a alteração dos cerrados e caatinga diminuiu sua população em grandes extensões do centro-oeste e nordeste brasileiros, apesar da espécie não estar em risco imediato de extinção.

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