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segunda-feira, 16 de julho de 2007

Quem avisa amigo é!

Tomas Sigrist e Eduardo Bretas estão lançando (previsto para outubro/2007) um Guia de Campo - Aves do Brasil Oriental. Quase não temos publicações desse tipo no Brasil, o terceiro país do mundo com maior número de espécies registradas.

Abaixo algumas características que terá o Guia e dois exemplos das pranchas que o comporão.

Características:

- Formato de bolso 12 x 19 cm;
- 448 páginas;- 158 pranchas ilustradas;
- Índice ilustrado das familias;
- Mapas de ocorrência;
- Mais de 1160 espécies;
- Mais de 2000 plumagens ilustradas;
- Versão Bilingue.

O Guia está em fase de pré-lançamento, e no site Avis Brasilis é possível fazer uma reserva para comprar o guia com desconto. Acho que vai valer a pena. Tenho o livro "Aves do Brasil uma Visão artística" do Tomas Sigrist, que é muito bom.


"Este Guia tem como propósito facilitar a prática da observação de aves no Brasil, incentivando esta atividade em nosso país. Sua área de abrangência coincide com a área de maior concentração populacional e de desenvolvimento sócio-econômico no Brasil e tambem com uma enorme diversidade avifaunística, englobando as aves oceânicas, dos cerrados, caatingas e das florestas costeiras e de muitos outros biomas ameaçados de nosso País. Seu formato foi planejado para ser facilmente transportado em excursões e saídas de campo, como um auxiliar na identificação das espécies de aves que ocorrem em ambientes extra-amazônicos e pode ser utilizado como um complemento adicional à obra: Aves do Brasil, uma visão artística."

Mapa de abrangência das aves abordadas no Guia.

sábado, 14 de julho de 2007

Ramphocelus passerinii (Passerini´s Tanager) em plena Serra do Japi ?

Uma descoberta interessante.
No feriado de Corpus Christi passado fomos para um belo Hotel-fazenda, o Fazenda Montanhas do Japi, em Jundiái, perto de São Paulo. Lá fotografamos um pássaro, claramente do gênero ramphocelus, porém, não era exatamente igual a nenhum ramphocelus que temos no Brasil. Enviei as fotos e solicitei ajuda ao ornitólogo Johan Dalgas Frisch, que num primeiro momento até achou que poderia ser uma nova espécie. Mas depois verificou que poderia ser o Ramphocelus passerinii, espécie encontrada exclusivamente do Panamá ao sul do México. Ele enviou as fotos para o professor Jaques Vielliard da Unicamp que confirmou parecer ser mesmo um exemplar de passerinii. Agora, como ele foi parar na Serra do Japi é um mistério. Vielliard escreveu que provavelmente ele escapou de algum cativeiro.
Algumas fotos do ramphocelus passerinii da Serra do Japi.

Agora uma foto que obtive da internet do Passeriniis Tanager fotografado na Costa Rica. Fonte: http://jrscience.wcp.muohio.edu/costa_rica_animals_04/sierpe_river_system/scarlet_rumped_tanager_04.jpg

Todas as fotos acima são do macho da espécie. A fêmea é bem diferente. Abaixo vai uma foto de uma fêmea da subespécie Ramphocelus costaricensis.

Fonte: http://fireflyforest.net/firefly/2006/06/12/cherries-tanagers/

domingo, 1 de julho de 2007

DEVASTAÇÃO DA MATA ATLANTICA- UM PRESENTE PARA BLUMENAU: 100 km de mata ciliar salvos

Reproduzo a seguir texto que recebi do Germano Woehl Jr. do Instituto Rã-bugio. Valeu Germano e Elza, parabéns pelo trabalho de vocês e de todo o pessoal do Rã-Bugio.

UM PRESENTE PARA BLUMENAU E FUTURAS GERAÇÕES

Mais de 100 quilômetros de matas ciliares preservadíssimas (de rios, córregos e riachos da bacia hidrográfica do rio Itajaí) e com milhares de bichos salvos da devastação.

Nesta sexta-feira, concretizamos a compra de mais uma área preservada nas cabeceiras do rio Itajaí, que beneficia Blumenau, Itajaí e mais dezenas de municípios.


Já detemos mais de 200 hectares de Mata Atlântica, boa parte intocada (floresta primária), com árvores centenárias, nas cabeceiras do rio Itajaí, nos municípios de Itaiópolis e Santa Terezinha. Tudo está sendo transformada em RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural, situação onde nunca mais poderá ser desmatada.

Se estas áreas não forem compradas, serão todas devastadas, como já está ocorrendo – de forma muito intensa. Poderosos devastadores (investidores em reflorestamento de pinus) estão comprando grandes extensões destas áreas preservadas para devastar em seguida. Graças às nossas ações, salvamos CONCRETAMENTE mais de 100 quilômetros de matas ciliares nos últimos dois anos. Para quem gosta de pensar em termos do número de árvores, devem ter sido salvas algo em torno de 10 milhões de árvores, considerando as mudinhas e árvores jovens e adultas.

Além da compra, evitamos que muitas áreas do entorno fossem devastadas com apoio do IBAMA-SC, POLÍCIA FEDERAL, POLÍCIA AMBIENTAL DE SC, MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL E FEDERAL. Conseguimos agir antes da ação criminosa dos devastadores. Seguem anexadas fotos de um exemplo, onde um devastador (procedente de Blumenau-SC) rasgou 7 quilômetros de estrada e iria devastar tudo para plantar pinus. Graças ao empenho dos fiscais do IBAMA-SC (de Florianópolis) que chegaram a tempo, a mata foi salva. No entanto, há dezenas de casos semelhantes e não temos como agir em todos estes casos.

QUANTO CUSTOU O INVESTIMENTO DESTE PROJETO?

Para compra das áreas, que somam mais de 200 hectares, foram utilizados recursos pessoais (dos dirigentes do Instituto Rã-bugio, das economias do casal Germano & Elza) e foram gastos cerca de R$ 100 mil. Observem que custa tão pouco para salvarmos estas últimas áreas preservadas de Mata Atlântica (que abrigam milhares de espécies de plantas e animais), que prestam um serviço tão essencial para a população.

Estamos buscando parcerias para comprar ainda neste ano uma área 4 vezes maior (parte com floresta primária – virgem) do entorno destas áreas já adquiridas e salvar mais algumas centenas de quilômetros de mata ciliar, milhares de animais (muitos dos quais da lista dos ameaçados de extinção), que se não forem compradas serão certamente destruídas, o que aumentará consideravelmente o risco de ocorrência de grandes tragédias em Blumenau a curto prazo, com enchentes e com a falta de água.


Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul, SC
http://www.ra-bugio.org.br/

sábado, 30 de junho de 2007

Nova espécie de ave brasileira - Papa-formigas-do-sincorá - Formicivora grantsaui

Deu na Revista Atualidades Ornitógicas nº 136: uma nova espécie de ave brasileira foi descrita. É a formicivora grantsaui, apelidada de papa-formigas-do-sincorá, em referência ao local em que foi encontrada, a Serra do Sincorá, na Chapada Diamantina. O nome científico homenageia o ornitólogo Rolf Grantsau.
Foto: Formicivora grantsaui - Acima - macho; abaixo - fêmea. Fotos: Sidnei Sampaio. (fonte: atualidades ornitológicas)

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Pássaro sorridente (Clytoctantes alixii) fotografado pela primeira vez

Notícia publicada no O Eco pelo jornalista Eric Macedo.

Depois de 40 anos de sumiço, o pássaro Clytoctantes alixii, morador das florestas venezuelanas e colombianas, foi fotografado pela primeira vez na história. Desde 1965 ele não era avistado e recentemente foi reencontrado nos dois países. O bico da ave tem uma curvatura peculiar, que faz com que ela pareça estar sorrindo constantemente. O fato levou a National Geographic, que publicou em seu site a fotografia, a compará-la à Monalisa do mundo dos pássaros.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Tucanuçus trocando idéias

Aproveitando a publicação das fotos de um tucanuçu no fotoblog Surucuá, publico a seguir um pequeno vídeo que gravei no Pantanal, de 4 Tucanuçus trocando idéias. É interessante para conhecer o estranho som que os tucanos emitem.

Para completar a postagem recomendo o acesso ao Blog Pássaros e Fotos que mostra uma das fotos mais interessantes de tucanuçus que já vi. Vale a pena

sábado, 16 de junho de 2007

Aves da Mata Atlântica

Finalmente comprei o livro de fotografias do Edson Endrigo, Aves da Mata Atlântica.

Muito bom, impecável, livro de mesa para todo passarinheiro. Não é um livro de referências, que além das fotos fornece descrições e outros dados, é um livro de fotografias. Cada foto é uma obra de arte, da natureza e do fotógrafo. Como é um livro em formato paisagem os enquadramentos estão muito bem feitos, e com muita riqueza de detalhes dos ambientes onde foram registradas as aves. Gosto muito das fotos em que além da ave é possível ver o ambiente em que ela se encontra. Acho que dá mais a sensação da avistagem ao ar livre, te transporta para o momento e o local.
Como fazer listas é coisa que humanos adoram, fiz a minha lista das 5 fotos que mais gostei. São elas:
1. Surucuá-de-peito-azul (página 58). Muito suspeito eu escolher um surucuá como número 1.
2. Araçari-banana (página 66). A luz no araçari e as bromélias, 10.
3. Não-pode-parar (philoscartes paulista) (página 128). nunca tinha ouvido falar
4. Corocochó (página 148)
5. Saí-azul (página 196)

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Nova espécie de ave descoberta no Brasil

A revista Terra da Gente deste mês (junho/07) traz uma pequena notícia sobre a descoberta de uma nova espécie de pássaro no Brasil. Acredita-se que ainda existam muitas espécies a serem descobertas, principalmente na amazônia, porém, a nova ave foi descoberta por incrível que pareça em Piracicaba, interior de São Paulo. O responsável pela descoberta, ou pelo menos pela sua divulgação, é o cardeal da ornitologia Johan Dalgas Frisch.

A espécie foi denominada de pipira-de-cauda-branca.

Ainda não foi oficialmente descrita, porque Dalgas recusou-se a capturar e matar a ave, preferiu apenas filmar e fotografar. Segundo a nota o nome científico sugerido é Ramphocelus ciropalbicaudatus, em homenagem ao jornalista Ciro Porto da Rede Globo e EPTV e editor da Terra da Gente.

Tentei achar na internet mais informações sobre a descoberta, e alguma foto ou vídeos da nova pipira, mas não consegui achar nada. Quando achar publico por aqui.

domingo, 10 de junho de 2007

Voando alto

Leiam reportagem de "O Eco" sobre o que rolou no Avistar 2007 - II Encontro Brasileiro de Observação de Aves.
Uma informação bem interessante divulgada numa das palestras:
A América do Sul é a primeira em diversidade avifaunística do mundo, com 3.344 espécies. A África fica em segundo lugar com 2.468 espécies e a Europa em último, com 1.047.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

No tempo em que Itatiaia era velho

Reproduzo a seguir mais um bom artigo do jornalista Marcos Sá Corrêa, editor do site O Eco, publicado no Estadão de 30/05/07.

É um artigo especial sobre o mais antigo Parque Nacional do Brasil. Talvez seja, além do mais antigo, um dos mais maltratados. Mas, apesar disso, continua sendo um lugar maravilhoso que vale a visita.

No tempo em que Itatiaia era velho

Marcos Sá Corrêa*

É uma pena Itatiaia não ganhar, de aniversário, um álbum como o do pianista Robert Donati. O parque nacional faz 70 anos em 14 de junho. Foi o primeiro do Brasil. Mas já encontrou lá por cima esse berlinense, que escapara da Alemanha na diáspora da 1ª Guerra Mundial, morara em Amsterdã, Londres, Buenos Aires e Rio, subira a serra em 1928 para uma temporada de férias em pensão modesta e abrira em 1931 o hotel que fincou para sempre raízes na Mantiqueira.Dali para a frente, até morrer sem arredar o pé dali há quase 40 anos, ele fez parte da montanha, como as árvores exóticas que a mata foi engolindo, sem extirpar. Sua presença marcou as memórias de forasteiros como os botânicos americanos Racine e Mulford Foster, que se espantaram, na década de 1940, ao encontrar naqueles cafundós um hoteleiro trajando “calções alpinos” e “chapéu tropical”, saudando-os “num inglês sem o menor sotaque”, porque “era capaz de manter conversa em quatro ou cinco línguas diferentes ao mesmo tempo”.Em 1932, ele figurara nas cartas que o hóspede Vinicius de Moraes mandava à família, falando do “alemão cosmopolita”, “apreciador da música” e “dono de uma discoteca que é uma maravilha”, depois de ouvir “Wagner, Bach, Haendel, Chopin, Korsakoff” na vitrola que Donati ligava uma hora por dia, à custa de um gerador movido a água de córrego. “A música tem aqui neste silêncio uma significação que não pode ter aí na cidade”, escreveu Vinicius. Com ela e os “sabiás discutindo perto”, dava “vontade de fazer uma poesia que preste”.Quem não escreveu sobre Donati, pintou-o, como Alberto da Veiga Guignard, que nasceu em Nova Friburgo, na serra fluminense, morreu nas montanhas de Belo Horizonte e, enquanto viveu em Itatiaia, como convidado de Donati, bateu suas encostas com fôlego de andarilho. Trinta e tantos anos atrás, o hotel ainda era decorado com flores e cenários da região, assinados por Guignard.Seus óleos serviam como atestados de que, num parque nacional, o tempo pode andar para trás. Itatiaia estava marcada, na época de Guignard, por cicatrizes recentes de seu passado agrícola. Eram recordações da Fazenda Mont-Serrat, que o governo comprara em 1908 do comendador Henrique Irineu Evangelista de Souza. O parque nasceu velho. A mata, de lá para cá, remoçou-o a ponto de torná-lo irreconhecível.Donati, por exemplo, construiu seu hotel num pasto limpo. O governo, seis anos depois, ergueu o museu regional da fauna e da flora, desenhado pelo arquiteto Alberto Murgel no Estado Novo para ser modelo de prédio público em unidades de conservação, num ninho de plantas rasteiras, entre morros encrespados pelo samambaião agreste, onde se contavam nos dedos as árvores tentando retomar os terrenos roçados. As trilhas se percorriam a cavalo. A ponte do Maromba, ancorada entre duas rochas, ficava na sombra rala de dois arbustos.Tudo isso o mato recuperou. Os botânicos que estiveram ali na virada do século 20 disseram que a floresta nativa começava para lá dos mil metros de altitude, onde o machado e o fogo não haviam chegado. No século 21, apesar dos pesares, a capoeira maciça, que só os olhos clínicos distinguem à primeira vista da mata primitiva, desce rumo ao Vale do Paraíba.Não há maneira mais convincente de explicar para que serve um parque septuagenário do que a história de seu rejuvenescimento. E, para contá-la, nada mais direto do que uma exposição de velhas fotografias de antigos moradores, como Donati, mostrando, preto no branco, o que aconteceu lá dentro, enquanto o País se distraía com suas políticas ambientais. São fotos que viram poucas vezes a luz do dia em quatro décadas. E, como não foram convidadas para a festa, ainda não será desta vez que alguém as verá na programação oficial do aniversário.
* É jornalista e editor do site O Eco

(as fotos fui eu que tirei mesmo, no começo de maio no Parna do Itatiaia).

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Saí-azul fêmea (Dacnis cayana)

Há uns dias atrás publiquei uma foto bem ruizinha no Surucuá fotoblog, de um pássaro que eu na minha ignorância de iniciante ainda não conhecia. A foto é esta aí abaixo.
Consultando referências me pareceu uma fêmea de saí-azul. Até hoje, infelizmente, ainda não vi ao vivo um saí-azul. Para tentar dirimir dúvidas procurei pelo oráculo universal, o Google, imagens da fêmea de saí-azul e encontrei algumas belíssimas fotos desse belo pássaro, que parece que é bastante comum em alguns lugares, como o litoral do Rio de Janeiro, por exemplo.

Saí-azul macho (foto de Luis Florit)
Saí-azul fêmea (fotos de Luis Florit)

Depois de ver as fotos não há mais dúvidas o pássaro que eu vi, mais ou menos, é mesmo uma fêmea de saí-azul.

Não é nada fácil ser um observador de aves paulistano, a gente se esforça, qualquer coisa voando a gente olha, mas infelizmente a espécie mais abundante por aqui hoje em dia é um tal de helicóptero.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Avistar 2007

A atividade de observação de aves (uma atividade de lazer sensacional que eu, com total parcialidade, recomendo muito) está crescendo pouco a pouco no Brasil. Um sinal claro do crescimento é a realização nesta semana do II Avistar - Encontro Brasileiro de Observação de Aves, em São Paulo, no Parque Vila-Lobos.
Eu infelizmente não poderei ir nos dois primeiros dias, pois tenho que trabalhar, mas no fim-de-semana estarei lá.

Vejam os detalhes abaixo e também clicando no logo para ir ao site do Avistar 2007


o grande momento.

Nessa quarta-feira começa a maratona!As barracas estão montadas e o estandes começam a se enfeitar. Nos quatro cantos da América Latina os palestrantes fazem os ajustes em suas apresentações. Em todo Brasil centenas de observadores, ornitólogos, profissionais de turismo e editores fazem as malas e vêm para a grande festa da observação de aves. Rolf Grantsau, o homenageado está pronto, e posso garantir, é emocionante ver nosso grande sábio naturalista se preparando para o evento. Isso nos dá certeza em nossos passos e confirma que apesar de todas as dificuldades Avistar2007 vai ser um marco. Agora só falta você. Arrume suas malas, prepare sua viagem e venha !

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Saíra-sete-cores

Após apresentar a saíra-de-lenço, agora apresento sua prima próxima a saíra-sete-cores.

A Saíra-sete-cores (Tangara seledon, Green-headed Tanager) em termos sonoros não é tão exuberante quanto sua aparência colorida. Tem um piadinho simpático mas não é uma cantora de muitos predicados. Confira no vídeo abaixo. Filmado na Pousada Aldeia dos Pássaros, dentro do Parque Nacional de Itatiaia.


mais fotos das saíras no fotoblog surucuá.

domingo, 20 de maio de 2007

La Cigarra

Mês passado fomos a um show do Renato Teixeira no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. O show foi para lançamento de um novo cd e de um dvd gravado ao vivo, ano passado, no auditório do Ibirapuera. Durante o show o Renato Teixeira cantou uma música belíssima, inédita para mim, chamada La Cigarra, de uma compositora argentina, Maria Helena Walsh. No cd o Renato canta esta música acompanhado de um cantor argentino excelente o Leon Gieco.
Fuçando no youtube achei uma pérola. Uma gravação de La Cigarra por Leon Gieco e Santiago Feliu ao vivo há 20 anos atrás. Belíssima. Quem quiser conhecer é só clicar duas vezes aí embaixo e aumentar o som.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Herpetologista honoris causa

Reproduzo a seguir um artigo sobre o ambientalista Germano Woehl Júnior, que com sua esposa, Elza Nishimura Woehl, criaram, mantêm e encarnam o Instituto Rã-Bugio. O artigo é do jornalista Marcos Sá Corrêa, editor do site O Eco.

Publicado no livro SINAIS DA VIDA (editado também em inglês)- agosto/2005

Herpetologista honoris causa
24.07.2005
O catarinense Germano Woehl Júnior tem duas vidas. Numa, é físico. Ganha a vida com diplomas, sobretudo o doutorado na Universidade de Campinas, produto de uma tese sobre o comportamento do átomo de cálcio congelado em raio laser. Trabalha no departamento de Fotônica do Instituto de Estudos Avançados do Centro Técnico Aeroespacial de São José dos Campos, um ninho de cobras no interior de São Paulo. No laboratório, sua função é ver longe, buscando agora soluções para problemas práticos que os brasileiros talvez só venham a saber que têm daqui 50 anos. Recebe, como pesquisador, um salário líquido de R$ 5.800,00 por mês.Na outra vida, ele é herpetologista. Autodidata, mas exaltado. Não leva para casa com isso um centavo. Ou pior, gasta quase tudo o que ganha no emprego de São José dos Campos sustentando a obsessão pessoal em Santa Catarina. É lá que cuida de sapos, rãs e pererecas, briga com as motosserras que lanham as últimas grotas de Mata Atlântica no interior do estado e raspa seus cofres de assalariado para comprar relíquias da floresta, antes que os proprietários as destruam. E usa as folgas para pegar no pesado em Guaramirim, na borda da serra catarinense. Entre a casa e o trabalho, viaja 670 quilômetros. E sempre que pode vai de ônibus, porque botar o carro na estrada é queimar dinheiro.


Em Guaramirim, Germano e sua mulher, a professora de Educação Física Elza Nishimura Woehl, criaram, mantêm e encarnam o Instituto Rã-Bugio, uma ONG que, na prática, não é mais nem menos a pessoa jurídica do serviço voluntário que o casal fazia por conta própria desde 1998 . Na ONG os dois tentam ensinar os brasileiros a resolver agora os problemas que daqui a 50 anos deixarão de ter remédio.Um instituto como o deles qualquer um pode fazer. Há organizações sem fins lucrativos que sustentam antes de mais nada seus beneméritos fundadores. O Rã-Bugio, não. A ONG é que tomou conta daquilo que era deles. Ocupa o terreno comprado em 1994, quando o instituto ainda nem existia, por R$ 12 mil. Em 2003, definitivamente convertida em espaço público, o sítio ganhou dois banheiros externos, um investimento de R$ 2.500, porque o interno já não dava conta da clientela. Calçar os 150 metros de trilhas, prevenindo os efeitos colaterais do pisoteio crescente, custou R$ 2 mil reais em lajotas, que o próprio Germano encaixou no chão. A sede do Rã-Bugio é a casa que arrumaram para morar. O jipe Toyota Bandeirante comprado de segunda mão estaciona entre cartazes, mapas e fotografias numa espécie de garagem, que sem a menor cerimônia vira auditório, mal pára na porta um ônibus carregado de escolares.Essa é a parte fácil de se fazer um Rã-Bugio. A difícil é achar outro casal como Elza e Germano.
Ela vem de uma família de agricultores do norte do Paraná, onde colheu algodão até os 17 anos. Enquanto crescia, via as florestas à sua volta encolherem até acabar. Conheceu o marido em 1981. E ele se convenceu de que tinha casado com a pessoa certa no dia em que a ouviu falando sozinha, enquanto arrumava o quarto onde moravam em Guaramirim. Foi ver o que havia. Encontrou a mulher tentando convencer uma lagartixa, com os melhores modos possíveis, a descer da cama. Germano credita a Elza a centelha inaugural do Rã-Bugio, por causa da perereca de três centímetros que se aboletou na sua cozinha e viveu com o casal durante um ano inteiro, impondo alterações na rotina doméstica, para não saltar em panela quente ou mergulhar no sabão. Chamava-se Pili. Foi o primeiro anuro que o físico fotografou e levou aos biólogos da Unicamp, para identificar. Com o tempo, Germano saberia tudo sobre a Pili.Ele cresceu ali perto, no planalto catarinense. Primeiro, como filho tardio de um pequeno empresário que, viúvo depois de quarentão, foi viver com uma mulher 26 anos mais moça do que ele. Quando o pai morreu, Germano perdeu tudo, a começar pela mãe. Criou-se capinando roça e entregando leite na cidade de porta em porta. Aos 11 anos, de enxada na mão, botou na cabeça que queria ser “pesquisador”. O projeto, além de implausível, era bastante vago. Mas, quatro formaturas depois, Germano estava publicando em revistas científicas artigos sobre a “atividade óptica passiva para geração de segundo harmônico com um laser de diodo de baixa potência” ou sobre “cavidade dobrada e incidência rasante para sistemas oscilador e amplificador de lasers de corante pulsados”.
Foi assim, com o suor de Germano, que os sapos, rãs e pererecas dos banhados catarinenses subiram na vida. À custa, é claro, de baixar os padrões de consumo do casal, que por sinal nunca tinham sido lá essas coisas. Ele, para não gastar com supérfluos o tempo que investe em bichos e plantas da Mata Atlântica, desistiu de dar aulas de Física em universidades particulares, que triplicariam sua renda. Ela, por ser 50% da equipe do Rã-Bugio, passou a morar em Guaramirim, enquanto a outra metade da ONG está em São Paulo. Os dois, desde que decidiriam fazer tudo juntos, tiveram que se separar. Levam uma existência para lá de franciscana, até pela intimidade com os animais. Consomem tão pouco que o lixo do Rã-Bugio, com baixos teores de lata, plástico, papel e vidro, costuma ser reciclado ali mesmo no terreno, como adubo orgânico.
Perderam há muito tempo o hábito de ir ao cinema. Quando querem entreter um hóspede de certa cerimônia, é notória sua perplexidade diante do cardápio de um restaurante. E não adianta perguntar a Germano, assim, como quem não quer nada, qual é a etiqueta da roupa que tem no corpo. A resposta invariável é uma cara de espanto.Em compensação, ele e Elza estão sempre prontos para falar sobre os detalhes que garimparam nos sete hectares do Rã-Bugio. Falam tanto nessas ocasiões, que esticam uma trilha de 150 metros num programa de pelo menos hora e meio floresta adentro. Lá tudo tem nome, explicação científica, sabedoria popular, história, causa e efeito. Ou seja, razão de existir. O maior trunfo do Rã-Bugio não é propriamente o mato, mas a curiosidade insaciável que os donos têm sobre ele. “Procuramos passar aquilo que sentimos, e isso nos confere uma vantagem imensa, pois achamos que as crianças percebem quando os adultos estão mentindo, quando não estão sendo sinceros”, diz Germano. Dito assim, o projeto soa tão simples que quase bateu na trave, quando em 1999 concorreu pela primeira vez ao patrocínio da Fundação O Boticário. O Rã-Bugio, na época, não tinha nascido. Faltava à proposta o aval de um centro de pesquisa. Seu título, Crianças Salvando Anfíbios e a Floresta Atlântica, dava a impressão de ultrapassar a competência de Germano. E vinha embrulhado num pedido irrisório demais para ser levado a sério. Queria cerca de três mil reais para uma campanha destinada a convencer os alunos de escolas catarinenses que os anuros não merecem a reputação que lhes impusemos, de serem bichos feios, peçonhentos, repugnantes e maléficos. Eles são apenas os bichos mais difamados da natureza. Logo, quem se reconcilia com eles está pronto para fazer as pazes com toda a floresta. O projeto só escapou por ter chamado a atenção de um dos consultores técnicos, o engenheiro florestal Carlos Firkowski, da Universidade Federal do Paraná. “Peguei, li detalhadamente e passei a defender com unhas e dentes aquele tal de Germano Woehl de que nenhum de nós jamais ouvira falar”, recorda Firkowski.
A partir desse primeiro empurrão, Germano não parou mais. Em cinco anos, experimentaram suas trilhas 10.600 estudantes, 600 professores e 1.600 visitantes avulsos, transformando o Rã-Bugio num curto desvio do circuito turístico habitual na serra de Dona Francisca. O ingresso lá continua gratuito. Mas o que deveria ser, em princípio, um passatempo do casal virou em 2003 o Instituto Rã-Bugio para a Conservação da Biodiversidade. Em suas terras, classificaram-se 41 espécies de anuros. As fotografias de Germano, que estreou com o retrato da Pili, formaram uma coleção de 70 sapos, rãs e pererecas, que circulou por 120 cidades catarinenses, em exposições itinerantes vistas por 25 mil pessoas. A WEG, que fabrica motores elétricos em Jaraguá do Sul, usou-as numa cartilha ilustrada que apresentava os bichos a adultos e crianças, distribuindo 30 mil exemplares do folheto em escolas públicas do município. Os hectares do casal se multiplicaram. Onze anos depois de comprar o primeiro terreno, Elza e Germano haviam arrancado dos dentes das motosserras mais 126 hectares de florestas em Itaiópolis, no norte do estado, onde estavam costurando retalhos de Mata Atlântica para um dia registrá-los como Reserva Particular do Patrimônio Natural. Seu método territorial ainda era o mesmo dos primeiros tempos. Sacaram R$ 47 mil da poupança para adquirir terras que ambos fazem questão de nunca usar. A essa altura muita coisa havia mudado em volta deles. O Rã-Bugio deu cria. Gerou um clone de 40,6 hectares a 50 quilômetros de Guaramirim. Chama-se Centro Interpretativo da Mata Atlântica. Está se instalando num terreno cedido pela prefeitura de Jaraguá do Sul e desta vez contava desde o princípio com o apoio de empresas locais para construir a sede. A réplica é seis vezes maior do que o original. E dessa vez a dupla não precisou correr atrás de apoio. A cidade é que lhe pediu para tomar conta da reserva. E a Sociedade Educacional do Vale do Itapocu (SEVITA/FAMEG), uma universidade local, doou R$ 120 mil para a ONG, que passará a treinar voluntários ambientais entre seus alunos. Quer saber como Elza e Germano puderam ir tão longe partindo de tão pouco? “Não tem segredo. É só não trocar de carro a cada dois anos”, ele responde.

Esta reportagem faz parte de um livro sobre os 15 anos da Fundação O Boticário.
Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
http://www.ra-bugio.org.br/
Jaraguá do Sul, SC
orkut
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2078146

Todas as imagens foram copiadas do site do Instituto Rã-Bugio

quarta-feira, 16 de maio de 2007

A invenção do Brasil


A revista National Geographic Brasil deste mês traz um interessante artigo sobre como a colonização mudou a biodiversidade do Brasil e da América.

Num trecho do artigo o autor (Evaristo Eduardo de Miranda) relaciona uma série de espécies vegetais que as vezes até pensamos que são naturais daqui, mas que na verdade foram introduzidas pelos colonizadores a partir de 1500. São elas: cana-de-açucar, algodão, manga, bananas (vieram da Ásia), carambola, melão, melancia, arroz, feijão, trigo, aveia, uva, coco, figo, fruta-pão, jaca, laranjas, limão, limas, tangerinas, tamarindo, café, cravo, canela, pimenta-do-reino, caqui, gengibre, biribá, romã, inhame, amoras, nozes, maçãs, peras, pêssegos, sapotis, pinhas e graviolas.

Portugueses e espanhóis levaram a outros continentes o milho, a batata, o tomate, a mandioca, o cacau, o caju, o amendoim, o abacaxi, o tabaco e a pimenta-vermelha.

domingo, 13 de maio de 2007

Saíra-militar ou Saíra-de-lenço (Tangara cyanocephala) Red-necked Tanager

Um amigo, o Sílvio Torres, foi passar férias em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, e tirou esta boa foto de uma Saíra-militar, ou Saíra-de-lenço. Prefiro chamar de Saíra-de-lenço, é mais simpático e mais identificável, pois a faixa vermelha no pescoço parece realmente com um lenço encarnado.
É um pássaro lindo demais. É uma ave encontrada geralmente junto a faixa litorânea.

Aproveitando este post da Saíra, achei também um pequeno vídeo muito legal do Germano Woehl do Instituto Rã-bugio , que filmou uma saírinha tomando banho numa bromélia.

Vejam

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Casinha e cerejeiras

A administração do Parque da Cidade de Miyoshi, na região de Nagoya, no Japão, instalou dezenas de casinhas de pássaros iguais a esta por entre as árvores de Cerejeira (Sakura) que estão em plena floração. 21/04/2007Foto: ELPIDIO HORTA/FotoRepórter/AE

domingo, 6 de maio de 2007

Jacuaçu (Penelope obscura) Dusky-legged Guan, o vídeo

Conhecem o canto do Jacuaçu? Quer dizer a voz, ou barulho, ou som que emitem, pois não é bem um caaanto.

Jacuaçu fotografado na parte baixa do Parque Nacional do Itatiaia.

O vídeo.

Juro que a qualidade do vídeo original é bem melhor que a apresentada aqui. Acho que o youtube está piorando bem a qualidade para diminuir o tamanho dos arquivos.

Mas lá vai o vídeo. Aumentem o som.

Mais uma foto do jacuaçu